A Caminhada e o Futuro Energético do Homem

Um Olhar Insular

por José Manuel Melim Mendes

Publicado em: Islenha

 

 

O PASSADO

"O caminho faz-se andando" (Antonio Machado)

 

 

Os primeiros passos

 

O Sol, que é a grande fonte energética da Natureza e da vida foi, naturalmente, a primeira fonte energética ao serviço do Homem. No início da presença dos seres humanos na Terra, as primeiras “máquinas energéticas” ao seu serviço foram os seus próprios corpos.

 

O primeiro grande salto foi o domínio do fogo e, com isso, a possibilidade de utilizar uma nova forma de energia, através da combustão da madeira.

 

Com a evolução do homo sapiens de caçador para pastor e agricultor, e a transição do modo de vida nómada para sedentário, os seres humanos foram sendo capazes de progressivamente extrair, cada vez mais, maiores quantidades de energia do seu meio ambiente. Domesticando animais e dominando, cada vez melhor, o cultivo das plantas, em especial de cereais, asseguraram um abastecimento contínuo e fiável e excedentes de energia facilmente disponível. O cultivo de plantas – associado à invenção de técnicas de rega – aumentou grandemente o rendimento por unidade de energia humana ou de trabalho despendido. Os excedentes agrícolas permitiram um crescimento significativo da população e libertaram parte dos indivíduos das suas obrigações de trabalho na produção de alimentos. Esta libertação determinou os primórdios da hierarquia social e da diferenciação do trabalho. A diferenciação e a especialização implicaram, por sua vez, novos e mais complexos arranjos sociais.

 

Assim, o cultivo de cereais, que se iniciou há cerca de 10 000 anos, no Norte de África, Médio Oriente, China e Índia, marcou um ponto de inflexão de grande significado na evolução da Humanidade e, também, na questão energética.

 

 

A energia desde o início do povoamento da Madeira

 

Esta nota sobre os primórdios da Humanidade e do aproveitamento da energia não se aplica, obviamente, à Madeira, povoada milhares de anos depois. Como “o Mundo pula e avança”, quando aqui chegaram os primeiros povoadores, a trajectória energética evoluíra muito em relação aos marcos anteriormente referidos. A utilização da força animal e humana, incluindo a de escravos e, sobretudo, o aproveitamento das fontes energéticas renováveis, como o vento, a água e a lenha, entre outras, determinavam um quadro muito distinto no século XV, quando aqui chegaram os primeiros habitantes em caravelas, impulsionadas pelo vento, que o Homem aprendera a utilizar para marear.

 

No início do povoamento, a economia alicerçou-se, fundamentalmente, numa vertente agrícola como principal fonte de riqueza, para a subsistência dos habitantes e fornecimento às embarcações que demandavam a baía do Funchal, nas suas rotas para sul.

 

As características edafo-climáticas da Madeira determinavam um território com excelentes condições para a produção agrícola, que apresentava, porém, uma morfologia, em geral, de elevada dificuldade para o cultivo agrícola. Como consequência da conjugação destes factores, à generosidade da terra teve de responder, então, o Homem com a generosidade do seu trabalho, dominando a agreste orografia, através da construção de socalcos.

 

Energia Humana (colecção do autor)

Figura 1 - Energia Humana (colecção do autor)

 

“Máquina Humana”(colecção do autor)

Figura 2 -  “Máquina Humana”(colecção do autor)

 

 “Máquina Animal” (colecção do autor)

Figura 3 - “Máquina Animal” (colecção do autor)

 

“Cedo se aperceberam os primeiros moradores da ilha, da necessidade vital da utilização da água como complemento indispensável à vida das mais variadas culturas, não obstante as excepcionais condições climáticas, sem temperaturas excessivas, ou ventos agressivos”[1]. Em sequência, foi sendo construída uma vasta rede de rega, constituída pelas levadas, que, serpenteando pelas mais abruptas vertentes da ilha, recolhiam e conduziam as águas, disseminadas de numerosas nascentes ou tornos, até as lançar no regadio.

 

Assim, desde o início do povoamento, os solos madeirense e portossantense foram abundantemente regados pelo suor de escravos e de homens livres, auxiliados, aqui e acolá, por animais, nas fainas agrícolas. Foram utilizados, também, os elementos naturais para satisfação das necessidades energéticas, nomeadamente lenha como combustível, água em azenhas e serras de água, e vento em moinhos, noras e embarcações.

 

 Uma Azenha (colecção do autor)

Figura 4 - Uma Azenha (colecção do autor)

 

A importância da água para rega, mas também como fonte energética, remonta aos inícios do povoamento. É por isso que, entre os privilégios concedidos aos donatários deste arquipélago, contava-se o de “...somente poderem eles construírem moinhos ou azenhas, concedendo, quando o entendiam, licença para outros o fazerem, mediante uma tributação especial. Este privilégio constituía uma das mais abundantes fontes dos rendimentos dos capitães-donatários, que eram avultadíssimos”[2]. No sítio ainda hoje chamado dos Moinhos e pela margem direita da ribeira de Santa Luzia havia um número considerável de azenhas, que perduraram até ao início do século XX. Chegaram a existir, por toda a ilha, mais de 600 azenhas em permanente laboração para uso do povo que a elas levava o trigo, o milho e a cevada da sua cultura para moagem. Em todas as freguesias havia azenhas que funcionavam noite e dia, conforme as horas que giravam as águas.

 

No Porto Santo não havia azenhas por falta de água. A moenda era feita em moinhos de vento, por ser o processo mais conveniente a uma região onde venta todo o ano.

 

 Moinhos de vento no Porto Santo (colecção do autor)

Figura 5 - Moinhos de vento no Porto Santo (colecção do autor)

 

 

 

A Revolução Industrial

 

Com a Revolução Industrial, alicerçada na máquina a vapor e no carvão, deu-se a grande mutação energética dos últimos séculos no percurso da Humanidade.

 

Esta mudança de paradigma, base da criação e expansão das sociedades modernas e desenvolvidas, tal como as conhecemos actualmente, alicerçada na exploração, em grande escala, de uma nova fonte energética, também chegou à Madeira, sobretudo através do abastecimento à navegação marítima, em que o Funchal assumiu o papel de um dos mais importantes portos na navegação do Atlântico Sul. Em 1838, estabeleceu-se no Funchal o primeiro depósito de carvão de pedra, pouco depois de ter sido iniciada a navegação a vapor de Inglaterra para as Índias Ocidentais, feita pela célebre companhia de navegação Mala Real Inglesa.

 

“Fragatas de Carvão” para Abastecimento à Navegação Marítima (colecção do autor)

Figura 6 - “Fragatas de Carvão” para Abastecimento à Navegação Marítima (colecção do autor)

 

 Transporte de Pessoas e Bens por Via Marítima (colecção do autor)

Figura 7 - Transporte de Pessoas e Bens por Via Marítima (colecção do autor)

 

A máquina a vapor radicou-se no Arquipélago, designadamente nos engenhos de cana‑de‑açúcar, e em 1893, na locomotiva a vapor no primeiro troço de caminho de ferro entre o Pombal e a Levada de Santa Luzia.

 

 O Comboio do Monte a Vapor (colecção do autor)

Figura 8 - O Comboio do Monte a Vapor (colecção do autor)

 

Um Zeppelin Sobrevoando o Funchal (colecção do autor)

Figura 9 - Um Zeppelin Sobrevoando o Funchal (colecção do autor)

 

Para os usos mais correntes, em particular no sector doméstico, utilizava-se carvão vegetal obtido a partir da combustão incompleta da madeira, designadamente de urze, uveira e loureiro.

 

 

A Electricidade

 

O azeite foi, inicialmente, o combustível dominante para fins de iluminação, para usos domésticos e, posteriormente, também, para iluminação de locais públicos. A era da electricidade iniciou-se na década de 1870. O momento mais marcante teve lugar a 19 de Outubro de 1879, quando, depois de numerosas experiências, Thomas Alva Edison conseguiu, por fim, que um protótipo de lâmpada eléctrica, por si idealizada, permanecesse iluminada durante quarenta horas.

 

Na Madeira, em 1846, iniciou-se a iluminação pública a azeite, que perdurou até 1870 no Funchal. A partir dessa altura verificou-se a sua progressiva substituição pelo petróleo iluminante.

 

Em Portugal, a primeira iluminação eléctrica efectuou-se na cidadela de Cascais em 1887, para comemorar o aniversário de sua Alteza o Príncipe Real. Dez anos depois, em 1897, surge a iluminação eléctrica no Funchal, através da entrada em funcionamento da Central Eléctrica do Funchal, propriedade da “The Madeira Electric Lighting Company Limited”, concessionária da produção de energia eléctrica, por via térmica, e da rede de iluminação pública. Esta empresa era conhecida por Companhia da Luz Eléctrica e a sua central, situada onde actualmente se encontra o Museu da Electricidade, designada como “Casa da Luz”.

 

No decurso da primeira metade do século XX, surgem iniciativas privadas de produção de energia eléctrica, mediante o aproveitamento da energia hídrica, em pequenas centrais hidroeléctricas particulares, nos meios rurais, designadamente na Ponta do Sol, na Camacha e no Porto Moniz.

 

Na perspectiva de um novo impulso na valorização do aproveitamento da riqueza hídrica da Madeira, o Governo toma a iniciativa de estudar o aproveitamento das águas da Madeira, incluindo, também, a vertente da energia hidroeléctrica, tendo então constituído a “Missão Técnica de 1939”.

 

“Nenhum aproveitamento hidroeléctrico de vulto existia até então, contando-se apenas algumas iniciativas particulares de ínfima produção.

 

Seguindo a orientação estabelecida no País, relativa ao aproveitamento da água para obtenção de energia eléctrica, a Missão Técnica de 1939 realizou um importante trabalho que se traduziu no plano aprovado pelo Decreto‑Lei nº 33 158 de 21/10/1943, onde era prevista a construção de várias centrais hidroeléctricas, aproveitando duplamente a água que corria em abundância desde os mais altos píncaros até ao mar”[3].

 

A ideia básica do plano consistia em:

 

“ - Conduzir para as terras secas do sul, as águas perdidas ou mal aproveitadas no norte da ilha, sem prejuízo do alargamento do regadio nessa zona; e

 

- Aproveitar a possibilidade de conjugar perfeitamente a produção de energia com a imperiosa necessidade da irrigação das terras, fazendo turbinar as águas antes de as lançar no regadio”[4].

 

O referido Decreto‑Lei criou, também, a Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira (CAAHM), que iniciou a sua actividade em 1944.

 

A empresa “The Madeira Ligthing Company Limited” foi a concessionária da exploração da iluminação e da produção de energia eléctrica desde 19 de Maio de 1897 até 31 de Dezembro de 1948. A municipalização destes serviços verificou-se a 1 de Maio de 1949. Em 1952, foi efectuada a incorporação dos Serviços Municipalizados de Electricidade do Funchal na Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira, a fim de promover com mais eficácia a exploração das centrais hidroeléctricas, que surgiram no seguimento do plano aprovado pelo referido Decreto‑Lei nº 33 158, e a execução das redes de transporte e de distribuição de energia em baixa tensão a todos os concelhos da Ilha.

 

O aproveitamento da energia hídrica para produção de energia eléctrica, em complemento às valias primordiais da água – abastecimento às populações e rega – constitui uma etapa marcante na epopeia da água na Ilha da Madeira, cujo início, associado à construção das primeiras levadas remonta, praticamente, como foi referido, à época do povoamento da Ilha.

 

 Energia Hídrica (foto Filipe Oliveira)

Figura 10 - Energia Hídrica (foto Filipe Oliveira)

 

A concepção e construção da expansão do sistema de abastecimento existente, integrando a nova vertente da produção de energia eléctrica, foi notável, constituindo, ainda hoje, um excelente exemplo de aproveitamento das águas para fins múltiplos e de transvase das águas de zonas excedentárias para outras deficitárias.

 

O trabalho desenvolvido pelo Engº Manuel Rafael Amaro da Costa e a sua equipa técnica, na prospecção e levantamento, no terreno, das captações e canais de transporte de água, e na identificação da localização das câmaras de carga e implantação das centrais hidroeléctricas, em consonância com as prioridades primeiras de abastecimento de água às populações e ao regadio, é um exemplo de competência técnica e de dedicação à causa pública.

 

A obra realizada pelos operários que rasgaram as levadas nesta epopeia da água, em meados do século passado, constitui um hino ao esforço humano, em condições difíceis e, muitas vezes, de risco extremo.

Assim nasceram as diversas centrais hidroeléctricas hoje em exploração, cujo contributo para a produção de energia eléctrica assume, ainda hoje, parcela não despicienda. As primeiras centrais hidroeléctricas, a da Serra de Água e a da Calheta, foram inauguradas, respectivamente, a 3 de Maio e 5 de Julho de 1953.

 

O facto de a Madeira dispor de recursos hídricos mais abundantes a cotas mais elevadas e de a necessidade de abastecimento de água ser superior a cotas mais baixas, verificando-se grandes desníveis no percurso da água, viabilizou, como foi exposto, a produção de energia eléctrica associada aos sistemas de abastecimento de água potável e de rega, desde os anos 50. Esta estratégia teve seguimento, embora intercalada com alguns anos de fraco interesse pelos empreendimentos hidroeléctricos, tendo-se desenvolvido o sistema de produção hidroeléctrica, que conta actualmente com dez centrais hidroeléctricas, com uma potência de cerca de 50 Megawatts (MW).

 

A potência instalada há cinquenta anos atrás, considerável para o sistema eléctrico madeirense da altura, é actualmente muito reduzida, em termos relativos. Durante mais de um decénio, desde a inauguração das primeiras centrais hidroeléctricas, o abastecimento de energia eléctrica da Madeira foi quase totalmente assegurado por via hidroeléctrica. Actualmente, a central da Serra de Água contribui com 7,2 MW para a potência instalada de cerca de 225 MW no sistema electroprodutor madeirense.

 

Como curiosidade, refira-se, ainda, que a Central Térmica do Porto Santo, inaugurada em Agosto de 1954, tinha uma potência de cerca de 80 Quilowatts (kW), repartida por dois grupos, e que a nova Central Térmica do Porto Santo, inaugurada em 1992, dispunha de dois grupos de 5145 kW, cada, ao passo que o mais recente aerogerador aí instalado tem uma potência de 660 kW.

 

 

Transportes

Os transportes são outro domínio no qual a transformação foi radical a nível mundial e, também, na Região.

 

Desde o início do povoamento, grande parte das deslocações era assegurada por via marítima, a remos, à vela e, posteriormente, a vapor, sendo a mobilidade interna extremamente reduzida para os padrões actuais. A navegação de cabotagem, até meados do século XX, representou um importante contributo para a circulação de pessoas e bens entre o “campo” e a cidade, sendo o único elo de ligação entre o Porto Santo e a Madeira. As deslocações terrestres eram asseguradas pelas próprias pessoas calcorreando a pé distâncias, por vezes longas, ou utilizando a tracção animal e, até, a força humana, situação que se manteve, com a pequena excepção do “comboio do Monte”, até ao século XX.

 

Em 1904, circulou o primeiro automóvel na Madeira. Nos anos 60, pousaram os primeiros aviões em território do Arquipélago madeirense, pois o Aeroporto do Porto Santo foi inaugurado em Agosto de 1960 e o de Santa Catarina, na Madeira, em Julho de 1964.

 

O parque automóvel da Região cresceu exponencialmente, em particular no último decénio, em que o crescimento foi mais acentuado, atingindo actualmente um parque de cerca de 100 000 veículos. Do ponto de vista energético, o sector dos transportes é, na sua quase totalidade, dependente dos derivados de petróleo e o consumo de energia associado representa quase 60% do consumo total de energia da Região.

 

 

A importância dos combustíveis fósseis e as interrogações actuais

 

Deve sublinhar-se que, após cerca de um século de predomínio do carvão como fonte energética nas sociedades industrializadas, sobretudo nas utilizações industriais, nos transportes, através do caminho de ferro e dos transportes marítimos a vapor, e na produção de energia eléctrica, nas centrais termoeléctricas, esta fonte energética foi paulatinamente dando lugar ao petróleo, desde a sua descoberta e primeiras explorações nos Estados Unidos da América.

 

O século XX foi o século do petróleo, utilizado em numerosas aplicações energéticas e como matéria-prima no sector petroquímico.

 

Mais recentemente, o gás natural, também combustível fóssil, a exemplo do carvão e do petróleo, tem vindo a assumir um papel de crescente importância na cena energética mundial, em particular nos grandes espaços económicos abastecidos por redes de gasodutos, a partir dos jazigos de gás natural ou de terminais de recepção de gás natural liquefeito.

 

Apesar da importância relativa de fontes energéticas alternativas aos combustíveis fósseis, como as energias renováveis e a energia nuclear, o certo é que a base amplamente maioritária do sistema energético mundial e, também, do nosso pequeno sistema energético regional assenta nos combustíveis fósseis.

 

Tem vindo a tornar-se evidente, de uma forma crescente nos últimos anos, que a época de predominância dos combustíveis fósseis apresenta, a par dos espectaculares benefícios para o progresso da Humanidade, a sua face sombria, senão mesmo negra, suscitando numerosas interrogações e preocupações. Estas inquietações dizem respeito, sobretudo, ao possível esgotamento dos recursos fósseis num prazo mais ou menos longínquo, à poluição associada à sua queima, que está na origem da gradual degradação dos ecossistemas naturais, da perda de qualidade de vida e das eventuais alterações climáticas, a que se junta, ainda, a problemática da segurança de abastecimento, em virtude da instabilidade geo‑política de regiões onde se situam as grandes reservas de petróleo e gás natural.

 

Os extraordinários benefícios derivados da utilização do carvão, do petróleo e do gás natural são demasiados para serem enumerados. Em particular na Europa, América do Norte e Japão, as gerações que viveram entre a era das primeiras aplicações do carvão e da tecnologia do vapor e a actualidade evidenciaram ganhos e benefícios sem precedentes na história da Humanidade, a partir da exploração destes recursos não renováveis.

 

Contudo para palmilhar esta espectacular trajectória, impensável há dois séculos apenas (e o que são dois séculos na história da Humanidade?), o Homem exumou os restos de eras geológicas primitivas longamente acumulados na noite dos tempos e transformou-os numa cornucópia de materiais úteis para o seu conforto e bem estar. Este percurso só foi possível devido à energia despendida nas inúmeras utilizações e nas transformações dos combustíveis fósseis, num crescendo de consumo e desperdício, desde a invenção da máquina a vapor.

 

Actualmente, estão a convergir um certo número de factores no sentido de gerar um acontecimento separador das águas de grandes proporções históricas, com que muitas civilizações foram confrontadas no passado, algumas superando-o, outras não.

 

Trata-se do ponto em que a quantidade de energia necessária para satisfazer a dinâmica do modelo civilizacional dominante é cada vez maior e mais dispendiosa, em virtude da eminência da escassez de recursos, e em que pesam, cada vez mais, as consequências da exploração insustentável dos recursos energéticos, que se têm vindo a agravar num processo progressivamente mais complexo e oneroso de absorção dos desperdícios acumulados e das externalidades ambientais negativas.

 

Quando se atravessa esta linha de confluência, os países ou os modelos civilizacionais experimentam um abaixamento do fluxo energético, com concomitante diminuição do desempenho de muitos subsistemas que sustentam a sociedade e um enfraquecimento da matriz institucional, económica e social, tornando a estrutura operacional global mais vulnerável às ameaças externas e ao colapso interno.

 

As escolhas que a civilização faz no “ponto de viragem” do seu sistema energético vigente determinam que seja, ou não, bem sucedida na reorganização do seu sistema e sofra uma renovação ou, pelo contrário, enfrente uma constante deterioração conduzindo ao seu eventual colapso. A civilização alicerçada no petróleo, o regime energético melhor sucedido em toda a história da Humanidade, encontra-se, segundo reputados especialistas, próximo do seu ponto de viragem.

 

Três trajectórias altamente preocupantes têm vindo a convergir rapidamente, forçando a sociedade a tomar decisões acerca de quais os passos a dar para assegurar o seu futuro. Efectivamente, a conjugação da eminência em atingir o pico da produção global do petróleo, com a crescente concentração das reservas remanescentes de petróleo no Médio Oriente (A região mundial mais instável do Planeta do ponto de vista político e social), e as possíveis alterações climáticas devido ao efeito de estufa conduz a um jogo mundial volátil e perigoso, cujo resultado final, no estado actual, levanta fundadas dúvidas e preocupações.

 

A civilização dos combustíveis fósseis está sob cerco. À tripla ameaça referida, deve ainda acrescentar-se as infra-estruturas energéticas existentes. Neste campo, as perspectivas são assaz preocupantes. As infra-estruturas complexas e centralizadas que a sociedade industrial criou para gerir uma economia intensamente energética, baseada nos combustíveis fósseis – outrora o grande trunfo – estão a converter-se rapidamente numa sujeição importante, porque se tem tornado crescentemente vulnerável a ameaças e roturas.

 

 

 

O FUTURO

"Todo o mundo é composto de mudança, tomando, sempre, novas qualidades" (Luís de Camões)

 

 

A Herança para o futuro

A Revolução Industrial alicerçou-se na exploração de um combustível fóssil – o carvão – tendo os passos subsequentes, até aos nossos dias, acentuado a importância dos combustíveis fósseis, pois que, a seguir ao carvão, fez a sua aparição em cena o petróleo, que rapidamente ganhou a primazia como fonte energética mundial, particularmente nos sistemas energéticos das sociedades desenvolvidas. Mais recentemente, nos últimos decénios, como anteriormente referido, o gás natural vem assumindo um protagonismo crescente no sistema energético mundial, designadamente nas economias mais avançadas.

 

O arquétipo de exploração destes três vectores energéticos, os quais constituem a fatia largamente maioritária do abastecimento energético mundial, e que foram a base do desenvolvimento da sociedade actual, apresenta riscos não desprezáveis para a sobrevivência do modelo de sociedade construída e sedimentada.

 

Em primeiro lugar, sublinha-se o risco da garantia de abastecimento energético, por forma a assegurar que o modelo das sociedades desenvolvidas e, mesmo até, do Planeta não entre em colapso. De acordo com reputadas fontes, designadamente no que concerne a avaliação dos recursos geológicos, grande parte dos factores conjuga-se para que os principais vectores energéticos da actualidade atinjam os seus picos de produção dentro de, apenas, alguns decénios.

 

Em segundo lugar, vem a questão das possíveis alterações climáticas por via do aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis. Todos os combustíveis fósseis integram na sua composição o carbono, que ao ser queimado produz o dióxido de carbono, CO2, que é a principal causa do “efeito de estufa”, o qual, por dificultar o retorno de parte da radiação solar para o exterior da atmosfera, determina, segundo a opinião de muitos investigadores, o aumento gradual da temperatura da Terra, com efeitos devastadores a prazo, em virtude da possível fusão de parte dos glaciares, com o consequente aumento do nível dos oceanos, a par de outros efeitos, como, por exemplo, o aumento da precipitação e a previsão de violentas tempestades nas latitudes médias, que causam fundadas apreensões.

 

Finalmente, um terceiro importante risco tem a ver com a componente geo‑estratégica, com as indeterminações que rodeiam a situação política e social de grande parte das áreas geográficas onde se situam as grandes reservas de hidrocarbonetos, designadamente no Médio Oriente e no mundo islâmico, de um modo mais geral.

 

Aprofundando um pouco mais a questão relativa à hipótese de os recursos energéticos fósseis existentes no nosso Planeta se evidenciarem insuficientes para garantir as necessidades de uma população humana que cresce a uma velocidade preocupante, e ao modelo de desenvolvimento, cada vez mais tributário da incorporação energética, lembremos alguns dados significativos.

 

A base energética mundial alicerçada, predominantemente, na exploração dos combustíveis fósseis tem conduzido a uma explosão da população humana nos últimos 150 anos. Só em 1825 a população mundial atingiu os primeiros mil milhões de indivíduos. Desde a aurora da revolução do carvão, a população duplicou em menos de um século. Outros mil milhões foram adicionados entre 1925 e 1960, com o nascimento e florescimento da era do petróleo. A população mundial cresceu para quatro mil milhões entre 1960 e 1975 e para cinco mil milhões, doze anos mais tarde, em 1987. Actualmente, a Terra acolhe uma população superior a seis mil milhões de indivíduos.

 

Além deste impressionante crescimento, constata-se uma distribuição da população completamente distinta dos períodos anteriores, com a crescente concentração da população em cidades e aglomerações urbanas, cada vez mais gigantescas. À volta de 1820, Londres tornou-se a primeira cidade a atingir um milhão de habitantes. Um século mais tarde apenas onze cidades no mundo tinham mais de um milhão de residentes. Em 1950, contudo, existiam já setenta e cinco cidades que haviam ultrapassado este valor e, em 1976, cento e noventa e uma áreas urbanas abrigavam mais do tal milhão de habitantes. Actualmente, dezanove cidades são mega‑cidades, com populações entre os dez e os vinte e cinco milhões de residentes.

 

O crescimento exponencial da população e o seu modelo de distribuição implicaram uma organização, por exemplo, na agricultura e nos transportes, que conduziu, também nesses sectores, a um crescimento acentuado da incorporação energética. Na agricultura, foi necessário aumentar a produtividade da terra e do trabalho agrícola, o que foi alcançado através de uma crescente mecanização e utilização de fertilizantes, altamente tributários de produtos energéticos. Nos transportes, para além de a actual mobilidade associada ao trabalho, lazer e qualidade de vida ser impensável há algumas décadas atrás, existe, também, um dispêndio enorme de energia relacionado com a organização territorial, que obriga a deslocações pendulares, cada vez mais longas e demoradas, cada vez mais consumidoras de energia, em parte pelas possibilidades decorrentes da vulgarização do transporte privado.

 

Pode, em síntese, afirmar-se que o modelo de desenvolvimento das sociedades industriais e pós‑industriais assenta em sistemas energéticos profundamente dependentes dos combustíveis fósseis e altamente centralizados e integrados. O caso da electricidade é disso exemplo paradigmático, apesar das medidas recentes, nos países desenvolvidos, de separação das actividades nucleares de produção, de transporte e de distribuição, e da sua regulação por entidades fortes e independentes. No entanto, qualquer uma destas actividades têm sido concentradas em centros de produção cada vez maiores, com redes de transporte de enormes dimensões em distâncias e níveis de tensão. Este universo concentracionário, cujas motivações técnicas e económicas se radicam, fundamentalmente, no aproveitamento das economias de escala, induz vulnerabilidades elevadas, de ordem técnica, económica e de segurança contra atentados.

 

 

A interface energia/ambiente

 

A integração das preocupações ambientais e da energia é uma questão política que está na ordem do dia, desde os inícios dos anos 80. Com efeito, no decurso dos últimos anos, tem-se constatado uma crescente preocupação, que tem mobilizado a comunidade científica e a opinião pública, em relação aos impactes ambientais provocados pela produção e utilização de determinados vectores energéticos, dos quais se destaca, como se referiu anteriormente, as eventuais alterações climáticas. Apesar de algumas divergências sobre a alteração do rumo actual em direcção a um destino muito inquietante para o Planeta e acerca das metas a atingir em determinados prazos, particularmente devido à posição dos Estados Unidos da América em não se comprometer em limitar as emissões de CO2, tem-se gerado um amplo movimento visando uma inflexão na trajectória descrita nas últimas décadas.

 

Ora, afigura-se que o modelo dominante de desenvolvimento das sociedades atrás esboçado poderá não ser sustentável, do ponto de vista energético, por muito mais tempo, tanto mais que, como se disse, existem fundadas suspeitas de que os recursos existentes na Terra em combustíveis fósseis em exploração se aproximam rapidamente dos seus picos de produção, o que significa que, a partir daí, será sempre a descer! Em termos de combustíveis fósseis existem, ainda, outros recursos que não têm sido explorados e que podem ser antevistos como alternativas aos actuais combustíveis fósseis em uso, como é o caso das areias asfálticas e dos xistos betuminosos, em particular. Contudo, estes combustíveis apresentam um teor de carbono muito superior ao petróleo e ao gás natural, o que vem complicar bastante as coisas em torno da problemática das alterações climáticas, pois a sua queima provocará, quase seguramente, uma maior emissão de dióxido de carbono, o principal responsável pelo efeito de estufa.

 

Refira-se, a propósito, que se tem verificado, na utilização dos combustíveis pelo Homem, um percurso constante em direcção à queima de combustíveis com menores teores em carbono. Com efeito, a primeira matéria‑prima utilizada – a lenha – apresenta a maior relação carbono-hidrogénio, com dez átomos de carbono para um de hidrogénio. Entre os combustíveis fósseis, o carvão tem a maior proporção, com um a dois átomos de carbono para um de hidrogénio, enquanto que o petróleo tem um átomo de carbono para dois de hidrogénio, e o gás natural, apenas um átomo de carbono para quatro átomos de hidrogénio. Tem havido, portanto, uma contínua trajectória de descarbonização dos vectores energéticos fósseis utilizados. O problema em relação ao efeito de estufa é que o crescimento do consumo tem sido muito superior ao ritmo da referida descarbonização, devido ao crescimento acentuado da população e à crescente incorporação energética per capita, em resultado, principalmente, das causas atrás referidas, da distribuição da população, da grande incorporação energética nos produtos alimentares, vegetais ou animais, do crescimento exponencial da mobilidade das pessoas, e da cada vez mais asfixiante presença do automóvel na vida quotidiana.

 

 

Perspectivas para o futuro

 

Prevê-se que, até 2030, o consumo energético mundial duplicará e que as emissões mundiais de CO2 aumentarão 2,1% por ano, em média. Os combustíveis fósseis, em particular o petróleo, continuarão a ser as fontes de energia dominantes e as emissões de dióxido de carbono serão quase duas vezes superiores às registadas em 1990.

 

Os países em vias de desenvolvimento deverão ter uma influência considerável sobre a situação energética, porque representarão mais de metade da procura energética mundial e um nível correspondente de emissões de CO2. Por outro lado, em relação aos números de 1990, a contribuição dos EUA para as emissões de CO2 deverá aumentar cerca de 50%, contra 18% da União Europeia, vincando a posição de crescente desprezo das políticas americanas pelo futuro global, em função dos seus interesses económicos, ou pelo menos, dos seus lobbies mais poderosos.

 

Do lado europeu afirma-se veementemente que, para salvaguardar a garantia de aprovisionamento energético e cumprir os compromissos assumidos em relação à salvaguarda do ambiente, a Europa deve reforçar os seus esforços de investigação, desenvolvimento tecnológico e demonstração, em particular no que concerne às fontes de energia renováveis, designadamente às apostas na eólica, solar, hídrica, geotérmica e às energias dos oceanos, bem como às pilhas de combustível e às tecnologias de hidrogénio e, ainda, à utilização racional de energia.

 

Visando a redução da excessiva dependência do petróleo, assiste-se, na generalidade dos países desenvolvidos e em particular da União Europeia, a um movimento de diversificação das fontes de energia, designadamente em direcção ao gás natural, bem como ao reforço das acções de utilização racional de energia. Na União Europeia, constata-se, ainda, um esforço de investigação, desenvolvimento tecnológico e demonstração de novos vectores energéticos alternativos e uma aposta em vultosos investimentos para aproveitamento das energias renováveis.

 

 

Apostas para superar as dificuldades

 

As preocupações sublinhadas, que não são de agora, embora se tenham vindo a agudizar nos últimos tempos, implicaram já, num passado relativamente recente, a busca de respostas científicas e tecnológicas, suportadas por opções políticas.

 

Nos anos sessenta e setenta, no que concerne à produção de energia eléctrica, para grande parte das sociedades mais avançadas, a energia nuclear por fissão ou cisão do Urânio235 foi uma grande aposta da Humanidade. Numa leitura retrospectiva e com a distância de três a quatro décadas, pode considerar-se como uma aposta relativamente falhada face às expectativas dessa altura, apesar de em alguns países ser um sucesso se medirmos pela sua contribuição para a produção de electricidade. Mas, na generalidade dos países, verificou-se um abrandamento e, mesmo, o abandono dos programas nucleares, em que se apostara há trinta, quarenta anos atrás, como é o caso de Portugal.

 

As razões para esta inflexão radicaram-se, fundamentalmente, na problemática, insatisfatoriamente resolvida, do destino final dos resíduos nucleares e, também, nos acidentes que se verificaram em centrais nucleares, particularmente o de Chernobyl, devido à sua gravidade. Assim, apesar de a energia nuclear ter a vantagem de não emitir gases de efeito de estufa, os “handicaps” referidos relativos à segurança têm impedido, até agora, que a energia nuclear se assuma como uma alternativa decisiva ao reinado dos combustíveis fósseis. Apenas com um salto tecnológico que opere um milagre se poderá ultrapassar o síndrome da incerteza sobre a segurança da energia nuclear para fins pacíficos, particularmente a garantia de neutralização dos resíduos nucleares.

 

Encontra-se em fase de investigação e desenvolvimento a possibilidade de utilizar, para produção de energia eléctrica, a energia nuclear de fusão que, como a designação indica, se alicerça num princípio oposto ao da energia nuclear de fissão. Com efeito, enquanto esta se baseia na cisão de núcleos de elementos pesados, que ao se decomporem libertam elevadas quantidades de energia, que, devidamente controlada, pode ser utilizada para finalidades pacíficas, na energia nuclear de fusão, pelo contrário, núcleos leves, em particular isótopos do hidrogénio, juntam-se dando origem a núcleos mais pesados, com libertação de grande quantidade da sua energia de ligação.

 

As energias renováveis e a utilização racional de energia, que significa incorporar menos energia para obter os mesmos resultados, diminuindo a intensidade energética, têm sido duas alternativas prosseguidas, com mais ou menos voluntarismo pelas sociedades avançadas. Designadamente na União Europeia e no Japão, as duas zonas desenvolvidas mais dependentes das importações de combustíveis fósseis, estas têm sido bandeiras desfraldadas, em termos de aposta energética.

 

 Lenha (foto Filipe Oliveira)

Figura 11 - Lenha (foto Filipe Oliveira)

 

Parque Eólico do Caniçal (foto Filipe Oliveira)

Figura 12 - Parque Eólico do Caniçal (foto Filipe Oliveira)

 

Contudo, mesmo com uma política e uma praxis polarizando esforços nas renováveis e na utilização racional da energia, estes dois vectores não serão de molde a resolver os problemas atrás enunciados, derivados do crescimento do consumo energético para satisfazer o crescimento da população, da sua distribuição cada vez mais concentrada em grandes áreas metropolitanas e das crescentes necessidades energéticas, em particular das sociedades menos desenvolvidas, mais populosas e que apresentam maiores índices de crescimento populacional.

 

Central Nuclear  e Central Fotovoltaica (foto Warren Gretz)

Figura 13 - Central Nuclear  e Central Fotovoltaica (foto Warren Gretz)

 

 

Vivenda auto-suficiente em energia eléctrica por via fotovoltaica e automóvel a ser abastecido com energia eléctrica (foto  Herman Gyr)

Figura 14 - Vivenda auto-suficiente em energia eléctrica por via fotovoltaica e automóvel a ser abastecido com energia eléctrica (foto  Herman Gyr)

 

 

A Aurora do hidrogénio

 

No contexto anteriormente esboçado, têm vindo a ser estudadas e equacionadas outras hipóteses, no sentido de serem ultrapassadas as dificuldades e os bloqueamentos que os sistemas energéticos alicerçados nos combustíveis fósseis encerram. O desenvolvimento de novas tecnologias ou, até, algumas mutações tecnológicas com mudança de paradigma energético, afiguram-se como alternativas possíveis. Entre as apostas numa mudança de paradigma, começa a ganhar espaço e consistência a sociedade do hidrogénio, sobretudo em conjugação com o aproveitamento intensivo das energias renováveis.

 

Há perto de 130 anos, Júlio Verne numa das suas obras de ficção científica – A Ilha Misteriosa – foi o primeiro visionário de um futuro em que todas as necessidades energéticas da civilização proviriam do hidrogénio extraído da água. Na actualidade, assiste-se aos primeiros, mas decididos, passos para a realização do sonho de Verne. A visão de Verne de um futuro a hidrogénio é, actualmente, objecto de uma profunda atenção de administrações de empresas líderes na cena energética mundial, grandes fabricantes de automóveis e empresas de serviços públicos, bem como de decisores políticos.

 

O trilho tem vindo a ser percorrido por entidades do sistema de investigação e, também, por grandes empresas multinacionais da área energética, que fazem do hidrogénio uma das suas apostas para o futuro. O caso do Grupo Royal Dutch Shell é paradigmático desta asserção. O Presidente do Grupo afirmou há cerca de dois anos num Forum do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, que “No século XXI, o carvão, o petróleo e o gás natural, os grandes combustíveis fósseis que haviam propulsionado o mundo para a era industrial, dariam lugar a um novo regime energético revolucionário baseado no hidrogénio e que a Shell tinha já comprometido mil milhões de dólares para preparar a transição para a economia baseada nos recursos renováveis...” [5].

 

A progressão contínua do pesado para o leve e do material para o imaterial nas formas de energia – do carvão para o petróleo e para o gás natural e, agora antevendo-se, para o hidrogénio – apresenta um paralelismo, em cada etapa da caminhada, com a crescente “leveza” da actividade industrial, desde os primeiros passos das tecnologias pesadas da era do vapor e dos produtos “fortes e feios” nos primórdios do capitalismo industrial, até às tecnologias ligeiras e virtuais da era das tecnologias da informação da época actual. A desmaterialização da actividade económica e da energia parecem, assim, caminhar lado a lado.

 

O elemento hidrogénio, descoberto por Cavendish em finais do século XVIII, começou a ser produzido comercialmente na década de 1920 na Europa e na América do Norte, tendo sido uma companhia canadiana a abrir o caminho. Essa empresa, que ainda é uma grande companhia canadiana, chama-se, à portuguesa, “Electrolisadores do Canadá”. Os electrolisadores são equipamentos que separam a água em hidrogénio e oxigénio e que possivelmente serão, num futuro mais ou menos próximo, instrumentos importantes na produção da nova fonte energética.

 

Um electrolisador, fazendo a separação da água em hidrogénio e oxigénio

Figura 15 - Um electrolisador, fazendo a separação da água em hidrogénio e oxigénio

 

Nos anos 20 e 30 do século passado, o hidrogénio foi utilizado, embora não como combustível principal, nos dirigíveis, os Zeppelins, que, quais navios aéreos, cruzaram o Atlântico, chegando a sobrevoar o Funchal. O grande desastre que se verificou com um deles, sobre Nova Iorque, assinou a sentença de morte deste modo de transporte transatlântico.

 

No entanto, como combustível, apesar de algumas experiências em automóveis, camiões, locomotivas e, até, submarinos, nos anos 30 e 40, o certo é que não vingou, tendo sido praticamente abandonada esta sua vertente de utilização.

 

Actualmente, são produzidos anualmente cerca de 400 mil milhões de metros cúbicos de hidrogénio, o que equivale, em termos energéticos, a aproximadamente 10% da produção mundial de petróleo em 1999. A maior parte do hidrogénio é usado como matéria-prima química para produção de fertilizantes baseados na amónia e na hidrogenação de óleos alimentares, e na produção de polipropileno.

 

Apenas com a crise do petróleo de 1973 recomeçou, muito timidamente, o interesse pelo hidrogénio como combustível ou fonte energética, reforçado na década de 90 com os estudos alarmantes sobre as emissões de CO2. Mais recentemente, o conceito de economia do hidrogénio está a sofrer um grande impulso devido essencialmente aos desenvolvimentos tecnológicos recentes na área da produção do hidrogénio e de um ambiente facilitador da sua utilização, nomeadamente nas pilhas de combustível.

 

Refira-se, a propósito, que as pilhas de combustível se baseiam no princípio tecnológico da reacção electroquímica de hidrogénio e oxigénio tendo como produtos dessa reacção energia eléctrica, energia térmica e água. É o processo mais adequado de produção de energia em associação com fontes renováveis, pois que é directa e permanentemente adaptável ao perfil do consumidor e sem emissão de poluentes. “As pilhas de combustível surgem claramente como uma das alternativas energéticas com maior potencial para rapidamente assumirem quotas importantes na satisfação das necessidades energéticas mundiais. É uma solução que minimiza impactes ambientais, apresenta maior eficiência energética face a soluções convencionais e optimiza o desempenho de fontes renováveis”[6].

 

Para além de numerosos e importantes desenvolvimentos na caminhada para a Sociedade do Hidrogénio, deve relevar-se a decisão histórica de 1999, quando uma nação insular com uma população da ordem de grandeza da Madeira – a Islândia – assumiu um plano de longo prazo para se tornar a primeira economia no mundo a hidrogénio, associada à valorização plena dos seus recursos e potencialidades energéticas renováveis, em particular a energia hídrica e a geotérmica.

 

Para isso foi constituída uma parceria entre seis entidades islandesas e três empresas multinacionais, Royal Dutch Shell, Daimler-Chrysler e Norsk Hydro, que traduz a importância da acção. Recentemente, em Abril último, tive a oportunidade de participar na inauguração da primeira estação de abastecimento de hidrogénio para automóveis em Reikjavique, um dos primeiros marcos da caminhada assumida pela Islândia.

 

 

 Um automóvel movido a hidrogénio, através de pilha de combustível (foto Leslie Eudy)

Figura 16 - Um automóvel movido a hidrogénio, através de pilha de combustível (foto Leslie Eudy)

 

Um autocarro a hidrogénio, com pilha de combustível, num posto de abastecimento (foto SunLine Transit Agency)

Figura 17 - Um autocarro a hidrogénio, com pilha de combustível, num posto de abastecimento (foto SunLine Transit Agency) 

 

 

Dificuldades para chegar à Sociedade do Hidrogénio

 

Contudo, ainda subsistem grandes dificuldades para o arranque sustentado em direcção ao desenvolvimento pleno da Sociedade do Hidrogénio.

 

Em primeiro lugar, com a tecnologia hoje disponível, para produzir a mesma quantidade de trabalho para o utilizador final, o hidrogénio requer, desde a produção até à sua disponibilização ao utilizador final, bastante mais energia do que a electricidade, pelo que os principais desafios consistem em desenvolver métodos mais eficientes para produzir e armazenar hidrogénio.

 

Se forem ultrapassados estes constrangimentos, o hidrogénio poderá ser a solução para se dispor, a médio e longo prazo, de um sistema de abastecimento energético baseado em energias renováveis. Esta conjugação consiste, de uma maneira simplificada, em aproveitar as energias renováveis para efectuar a electrólise da água, separando o hidrogénio do oxigénio, armazenando o hidrogénio para posterior utilização em pilhas de combustível.

 

No entanto, para que estes cenários se tornem realidades bem sucedidas muito há a fazer, em particular, a necessidade de um grande esforço concertado envolvendo agentes relevantes na decisão política, na investigação, demonstração e disseminação em tecnologias críticas para assegurar a fiabilidade e a competitividade do hidrogénio, e de criação de um ambiente facilitador em termos de instrumentos económicos, legislativos e fiscais, a par de novas infra-estruturas energéticas.

 

 

Contexto Insular

 

Se numa região continental a energia é um factor estratégico para o desenvolvimento, numa região insular isolada, a dependência do sistema energético e a fragilidade da base económica agravam a situação, tornando a energia um elemento fundamental para a sustentabilidade, a todos os níveis. Releva-se a adjectivação “isolada”, pois que há uma diferença abissal, do ponto de vista da problemática energética, entre as ilhas próximas das regiões continentais ou, mesmo, de outras regiões insulares, para as quais existem, ou são equacionáveis, interligações de redes eléctricas, e as ilhas remotas para as quais não se antevê essa possibilidade.

 

Acresce, ainda, que as grandes alternativas ao petróleo como o nuclear, o carvão e o gás natural não são equacionáveis numa região insular de pequena dimensão, com a tecnologia actual. Assim, o facto de as grandes alternativas e as grandes redes energéticas não serem acessíveis às regiões insulares isoladas, torna-as mais vulneráveis às flutuações dos preços do petróleo, para além dos custos acrescidos devido ao transporte marítimo e à reduzida escala.

 

Efectivamente, a pequena dimensão das ilhas limita seriamente a eficiência dos sistemas energéticos convencionais, os quais são frequentemente concebidos e desenhados para outros contextos. Em ilhas muito pequenas, em particular quando se verifica a dupla e tripla insularidade, o custo de produção da energia eléctrica pode atingir várias vezes os valores de referência das regiões continentais.

 

Pode afirmar-se que as ilhas isoladas constituem, em geral, um caso particular no que concerne o desenvolvimento sustentável, com características muito especiais do ponto de vista energético. A maior parte das regiões insulares isoladas tem um perfil comum, com características próprias, vantajosas ou penalizadoras, as quais devem ser ponderadas cuidadosamente na tomada de decisão sobre questões energéticas estratégicas.

 

A generalidade das regiões insulares caracteriza-se, ainda, por um ambiente altamente sensível, devido à fragilidade dos seus ecossistemas, pelo que os impactes ambientais dos sistemas energéticos podem assumir maiores proporções.

 

Por outro lado, as ilhas tendem a apresentar algumas vantagens em certos domínios da problemática energética. A maior parte das ilhas dispõe de importantes fontes de energias renováveis, que estão, normalmente, subaproveitadas face ao potencial efectivo existente. Também, os sobrecustos associados às energias convencionais, nas ilhas isoladas, podem constituir um factor favorável à inovação e à demonstração de novas tecnologias, em particular para promover o aproveitamento das potencialidades das energias renováveis, bem como da racionalidade energética.

 

As fontes de energia renováveis têm uma excelente capacidade de modulação para as escalas mais pequenas, comparadas com os rígidos sistemas convencionais de produção de energia eléctrica. As tecnologias das energias renováveis adaptam-se muito melhor às escalas e necessidades insulares, sendo certo que as novas tendências tecnológicas têm vindo a reconhecer, de uma forma crescente, as vantagens da produção em pequena escala como uma garantia de futuro para a qualidade e segurança do abastecimento, favorecendo, desta maneira, a posição das ilhas.

 

Deve fazer-se um breve parêntesis para lembrar ao leitor mais desprevenido que as energias renováveis se podem dividir em dois conjuntos diferentes, do ponto de vista de garantia do seu fornecimento. Por um lado, existem recursos renováveis que garantem esse abastecimento de uma forma constante, como é o caso, por exemplo, da geotermia ou de uma instalação abastecida a lenha. Por outro lado, temos o caso de recursos renováveis cuja disponibilidade flutua em função das condições climatéricas, de que constituem exemplos, entre outros, a energia eólica, a hídrica e a solar, que se designam por intermitentes.

 

O principal constrangimento para o aproveitamento das potencialidades das energias renováveis intermitentes para a produção de electricidade, em sistemas energéticos insulares isolados e de pequena dimensão, é o baixo consumo de energia eléctrica nas horas de vazio, durante a madrugada.

 

O obstáculo referido é devido ao facto de a energia eléctrica produzida ter de ser consumida na altura da sua produção. Na época das chuvas, quando há a conjugação da produção hidroeléctrica e da produção eólica, há a possibilidade de esta produção conjunta poder ser superior ao consumo das horas de vazio e, consequentemente, ter de ser desperdiçada.

 

Uma das formas de ultrapassar esta dificuldade é armazenar a energia eléctrica não absorvível pelo sistema de consumo eléctrico, através de vectores intermédios. Atendendo a que a armazenagem em baterias é inviável para grandes quantidades, devido ao seu custo, as hipóteses mais interessantes e promissoras são o armazenamento de água, nalguns casos, e de hidrogénio, na hipótese de se superar as dificuldades atrás referidas para a implementação da Sociedade do Hidrogénio.

 

 

As ilhas como vitrinas – o princípio da ilha incubadora

 

As ilhas afastadas das regiões continentais têm sido, ao longo dos tempos, importantes laboratórios, plantados no meio dos oceanos, na rota do desenvolvimento da Humanidade. Os meios insulares sempre foram sistemas avidamente procurados pelos investigadores em muitos domínios de estudo. Por exemplo, na área da biodiversidade e da adaptação das espécies, é bem conhecido o caso de estudos, alicerçados em especificidades insulares como a necessidade de maior velocidade de adaptação das espécies a novos meios, isolados e mais pequenos. Nesta perspectiva, as ilhas constituem um enorme repositório de estudos de significativa importância para o desenvolvimento da Ciência e da Humanidade.

 

Também, na área energética, existem inúmeros exemplos da importância dos meios insulares no desenvolvimento da investigação, adaptação tecnológica e demonstração, na senda do progresso humano. O caso dos aproveitamentos hidroeléctricos articulados com o abastecimento de água às populações e a rega, na Madeira, é um exemplo, entre numerosos outros, em que o ambiente insular foi o meio físico e humano de onde brotaram importantes realizações de desenvolvimento sustentável no domínio energético.

 

Neste contexto, certos constrangimentos insulares podem constituir oportunidades. Por exemplo, a pequena escala dos sistemas energéticos insulares, devido à reduzida dimensão do mercado, induz sobrecustos nos produtos energéticos convencionais, criando condições favoráveis à inovação e ao desenvolvimento de novas tecnologias para a valorização de recursos energéticos endógenos e para a utilização racional de energia.

 

Estas regiões possuem, ainda, condições favoráveis para acções de disseminação e de demonstração de novas tecnologias no domínio da energia, porque, além do facto de apresentarem condições naturais favoráveis para certas formas de energia renovável, a sua pequena dimensão e o seu isolamento físico permitem a estas regiões ser laboratórios reais onde é possível um melhor controlo das variáveis dos sistemas energéticos em estudo (princípio de ilha incubadora), com um potencial elevado de desenvolvimento tecnológico e aplicação noutros contextos.

 

Assim, na busca de soluções para os seus problemas específicos no domínio da energia, estas regiões poderão dar uma preciosa contribuição para o desenvolvimento tecnológico da União Europeia e do Mundo, designadamente em determinados domínios emergentes como o da Sociedade do Hidrogénio, as pilhas de combustível, as energias renováveis e a gestão das redes eléctricas isoladas.

 

 

A Madeira na rota da inovação energética

 

A adaptação das tecnologias energéticas à Região, desde os inícios do povoamento, evidencia uma capacidade inovadora que, em alguns exemplos, constituem marcos importantes na caminhada para o desenvolvimento sustentável. O caso dos aproveitamentos hidroeléctricos é exemplar, sobejamente sublinhado ao longo deste texto. Pode acrescentar-se exemplos relativamente recentes como a instalação do primeiro parque eólico português no Porto Santo em 1986 e a primeira instalação fotovoltaica portuguesa na Selvagem Grande para a electrificação autónoma do farol.

 

No início da última década, a Madeira detinha a parcela largamente maioritária da energia eólica instalada em Portugal para produção de energia eléctrica. Esta tecnologia, com um crescimento impressionante a nível europeu nos últimos anos, teve no Arquipélago a região pioneira a nível nacional.

 

Nos tempos mais recentes, o mundo em geral, e os sistemas energéticos em particular, mudaram muito. A alteração do contexto e das tecnologias induz ameaças e riscos mas, também, oportunidades. Algumas dessas oportunidades, por razões anteriormente aduzidas, têm o seu habitat natural em regiões insulares. A Região Autónoma da Madeira dispõe, inegavelmente, de algumas boas oportunidades, no domínio da inovação, no sector energético.

 

O desenvolvimento de actividades de cooperação inter‑regional, o trabalho em rede com centros de competências no domínio da inovação, já em marcha, e o projecto de criação de uma Rede de Excelência em energia para as Regiões Ultraperiféricas com um centro na Região, permitirão posicionar a Madeira na rota da inovação energética, incorporando recursos renováveis, inteligência e competência.

 

Antevê-se como favorável a possibilidade de promover a Região e, em particular, o Porto Santo, numa primeira etapa, como um centro de demonstração de novas tecnologias, através da realização de projectos inovadores de energias renováveis e da sua conjugação com sistemas de acumulação, através da água e do hidrogénio, e, ainda, a aplicação em novos equipamentos de utilização de energia, em particular nos transportes, no sector turístico e na área residencial.

 

A introdução do gás natural em pequenos sistemas energéticos isolados da dimensão da Madeira implica um esforço de investigação sobre meios de transporte, recepção e armazenagem, que justifica um projecto europeu, pelas potencialidades que encerra na abertura de novos mercados para o gás natural, e para a diversificação dos sistemas energéticos isolados, insulares ou continentais, naturalmente excluídos das vantagens que o gás natural apresenta, em termos de diversificação de fontes energéticas e de redução das emissões poluentes.

 

Os exemplos de iniciativas apontados enquadram-se em oportunidades proporcionadas pelo Espaço Europeu de Investigação, os quais devem ser aproveitados pela Região, mediante a sua inserção na dinâmica europeia da Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Demonstração, com impactes no desenvolvimento regional e no “up‑grading” da sociedade madeirense.

 

 

A finalizar

 

Ao escrever esta contribuição para a ISLENHA, foi minha intenção transmitir, ao leitor interessado no desenvolvimento insular nas suas várias vertentes, um olhar sobre a temática energética, com umas pinceladas sobre a trajectória percorrida e, sobretudo, tentando perscrutar as possibilidades abertas pelas nossas potencialidades e limitações, no quadro de novas etapas ou, mesmo, novos paradigmas energéticos e de desenvolvimento Regional que se avizinham a passos largos.

 

Estima-se que, em 2025, oito mil milhões de indivíduos viverão na Terra, com necessidades de alimentação, vestuário e habitação. O uso cuidado e sustentável dos recursos do Planeta, do seu solo e da sua água é, consequentemente, da máxima importância. A energia é um factor crítico para a sustentabilidade da Terra, sendo certo que não pode haver desenvolvimento sustentável sem uma exploração sustentável dos recursos energéticos e uma racionalização do consumo.

 

O consumo energético global aumenta cada ano que passa e é responsável por uma série de problemas com a que a Humanidade se confronta, em particular relacionados com as eventuais e altamente preocupantes alterações climáticas. A energia é, contudo, também, a base da nossa prosperidade. Estamos, portanto, confrontados com um grande desafio: o de cobrir a crescente procura de energia de uma forma mais eficiente e mais amiga do ambiente, com as melhores tecnologias e utilizando os recursos energéticos renováveis.

 

As Conferências do Rio de Janeiro, de Quioto e, mais recentemente, a Conferência de Bona e a Conferência de Joanesburgo, apesar de reticências e oposições importantes, constituíram marcos muito positivos com vista a alterações nos sistemas energéticos, a nível mundial, tomando em linha de conta as grandes preocupações ambientais.

 

As perspectivas de evolução tecnológica permitem perspectivar boas possibilidades de emergirem novos vectores energéticos mais limpos e equipamentos de produção e utilização de energia mais eficientes, com importantes reflexos nos sistemas de abastecimento energético e na redução das agressões ambientais, em particular das originadas pelas emissões de CO2.

 

Na nossa Região, passado o período de enormes realizações em infra-estruturas de que a Região tanto carecia, antevê-se como relativamente óbvia, a inflexão do paradigma de desenvolvimento regional, com crescente redução do volume de obras públicas e de construção civil, e a tendência para incrementar a diversificação, qualificação, diferenciação e aumento da cadeia de valor dos produtos e serviços.

 

A inovação, em sentido lato, constitui uma premissa do paradigma do desenvolvimento regional futuro. Contudo, a inovação não cai do céu, tem memória e é influenciada pela dinâmica de novas competências. O processo de inovação exige tempo e valores, mas sobretudo um esforço de participação colectiva de forma a viabilizar a aprendizagem e permitir interiorizar socialmente as suas dimensões críticas, nomeadamente o esforço de compreensão sobre a necessidade de evoluir para estratégias de maior valor acrescentado.

 

Hoje é imperativo que a dinâmica sócio‑política regional assegure o desenvolvimento económico e a competitividade, preservando e melhorando o ambiente, e garantindo a segurança do abastecimento de energia. As perspectivas abertas pelo desenvolvimento científico e tecnológico, em particular no espaço europeu, conjugadas com as especificidades das regiões insulares isoladas e com uma adequada dinâmica regional de inovação no campo energético, incluindo a cooperação, podem catapultar a Região para uma posição de destaque no contexto insular e ultraperiférico, com visibilidade e efeitos multiplicadores no espaço europeu, mediante a realização de empreendimentos inovadores, na senda do desenvolvimento sustentável.

 

 

 

[1] O Aproveitamento da Água na Ilha da Madeira

[2] Elucidário Madeirense

[3] Um Século de Electricidade. Museu de Electricidade – Casa da Luz

[4] Aproveitamento da Água na Ilha da Madeira

[5] The Hydrogen Economy

[6] Pilhas de Combustível a Hidrogénio

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

  • Elucidário Madeirense, Padre Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1945.
  • O Aproveitamento da Água na Ilha da Madeira, Ministério das Obras Públicas, Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira, 1969.
  • O Funchal no Primeiro Quartel do Século XX, Abel Marques Caldeira, 1964.
  • O Mundo da Electricidade, CEEETA, 1986.
  • Pilhas de Combustível a Hidrogénio, Soluções Racionais de Energia (sre) e Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI), 2003.
  • Plano de Política Energética da Região Autónoma da Madeira, Vice-Presidência do Governo Regional, 2002.
  • The Hydrogen Economy, Jeremy Rifkin, Polity Press, 2003.
  • Um Século de Electricidade, Museu da Electricidade, Casa da Luz.

 

voltar