A energia, uma abordagem geral

Por Filipe Oliveira, AREAM

 

 

A energia já entrou de tal forma no nosso dia-a-dia que quase nem damos conta da sua importância. A energia suporta um grande número de actividades humanas e é um factor base do desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida. Isto, sem considerar, num sentido mais lato, que a energia sustenta todas as formas de vida.

 

A energia apresenta-se de diversas formas na Natureza­­­ (petróleo bruto, carvão, gás natural, nuclear, geotérmica, biomassa, hídrica, eólica, solar, ondas do mar, marés, etc.) e pode ser convertida noutras formas de energia mais adequadas a cada utilização, destacando-se os combustíveis petrolíferos refinados (gasolina, gasóleo, propano) e a energia eléctrica.

 

As fontes de energia

Pode-se afirmar que a nossa grande fonte de energia é o Sol. Efectivamente, excluindo a energia nuclear, a energia geotérmica e a energia das marés, praticamente todas as outras formas de energia têm origem, directa ou indirectamente, na radiação solar.

 

Parte da energia solar que atinge a crosta terrestre é convertida em energia química através da fotossíntese, podendo depois ser utilizada através da combustão da matéria orgânica vegetal (lenha) ou convertida noutras formas de energia (bio-combustíveis, energia eléctrica, energia calorífica). Os combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) resultam do processamento da matéria orgânica vegetal durante milhões de anos, a qual teve como fonte de energia a radiação solar.

 

O Sol é ainda a grande fonte de energia que, associada a um conjunto de factores, condiciona as movimentações da atmosfera e a evaporação, estando por isso na origem do vento, das chuvas e da ondulação marítima, que são formas de energia que podem ser aproveitadas, designadamente para produção de energia eléctrica.

 

Para além do Sol, refira-se a energia das marés que resulta da atracção gravitacional da Lua e da rotação da Terra, enquanto a energia geotérmica consiste no calor proveniente do interior do Planeta, que pode ser aproveitado especialmente em regiões com actividade vulcanológica importante. A fissão nuclear de minerais como o urânio, apesar das questões de segurança que ainda se colocam, é uma fonte de energia com grande potencial de exploração no futuro, sobretudo para produção de energia eléctrica.

 

Ciclo da energia

Para avaliar a sustentabilidade a longo prazo da utilização de determinada forma de energia, é necessário analisar o ciclo que vai desde a sua origem na Natureza, passando pelo seu processamento até ao consumo final, recomeçando depois na regeneração ou reposição dessa forma de energia. A título de exemplo, no caso do petróleo o ciclo decorre em milhões de anos, para a biomassa poderá demorar uma geração, para a água o ciclo poderá ser anual, enquanto que para a energia solar térmica este será diário.

 

Atendendo ao ciclo da energia e à sua disponibilidade na Natureza, as diversas formas de energia primária podem ser divididas em dois grupos:

  • Energias Renováveis: são as formas de energia primária inesgotáveis ou que podem ser repostas no curto e médio prazo, à escala humana (solar, eólica, hídrica, biomassa, marés, ondas, geotermia, etc.);
  • Energias Não Renováveis: são as restantes formas de energia, cujas fontes não podem ser repostas no curto ou médio prazo (petróleo, carvão, gás natural).

 

Actualmente, a procura de energia está fortemente polarizada nas formas de energia não renováveis, como se pode observar no quadro seguinte.

 

Principais fontes da energia consumida no mundo

39% - Petróleo
27% - Carvão
24% - Gás Natural
7% - Nuclear
3% - Hidroeléctrica

Fonte: Relatório “O Estado do Mundo” (World Watch Institute - 1994)

 

Numa óptica de sustentabilidade a longo prazo, procurando também reduzir os impactes ambientais normalmente associados à utilização de combustíveis fósseis, é necessário minimizar o consumo das energias não renováveis, através de medidas de poupança e da substituição por energias renováveis limpas.

 

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